ACONTECEU NO SÍTIO

 “-Que dia lindo!” Diz seu Rocha, abrindo a porta da cozinha que dá para o quintal.
 “-Porque não ir até o nosso sítio, hein papai?”
 
“-Você gostaria mesmo, Carlinhos?”
 
“-Claro! Já estou pronto. É só dar a ordem e já estou indo.”
  
Seu Carlos achou boa a idéia e se apressou em falar com a esposa.
  
Num instante tudo estava arrumado. Lá vai a família Rocha a caminho da roça. A viagem só durou um pouco mais porque tiveram que parar para comprar carne, pão e alguns temperos.
Chegaram por volta de onze horas. Seu Rocha gostava de fazer churrasco e com a prática que tinha tudo ficou pronto rapidinho.
Carlinhos e a irmã brincaram a valer. Correram, pularam subiram em árvores, montaram no burrinho, (o Faísca) e com ele deram voltas no canto ecológico. Brincaram na cascata, no parquinho onde a balança é feita de pneu e, assim, fizeram “miséria” a tarde toda.
  
Chega a noite,  hora de tomar um banho e comer alguma coisa.
  
“-Vejam só o que a mãe aprontou. Um belo e apetitoso bolo de chocolate!”. Diz seu Rocha satisfeito.
  
Todos sentam à volta da mesa com o olhar brilhante não só pelo reflexo da luz, mas, também, pela admiração de ver o capricho de uma mesa tão bem arrumada. Alguns salgadinhos, bolo, e café com leite. O suficiente para deixar todos contentes.
Hora de dormir. Mais algazarra, mais folia. Porém, dali um pouco... silêncio... e que silêncio...!
  
Lá pela madrugada  o casal foi acordado com um barulho de passos que parecia vir de fora.
  
Prestaram muita atenção e perceberam que os passos vinham na direção da porta da sala.
Levantaram, pé ante pé, e dirigiram-se até a porta sem saber o que fazer. “O quê” era ou “quem era” não sabiam, mas o fato é que estava bem encostado na porta. Assim ficaram algum tempo até decidirem acender a luz de fora. Acenderam e nada aconteceu. Seu Rocha foi até o quarto, abriu a gaveta do criado-mudo e retirou uma caixa de bombinha que havia guardado no sábado anterior, quando fizeram uma fogueira para comemorar o dia de S. Pedro. Bem devagarzinho, chega perto de D.Alzira, mostra uma bombinha e com grande agilidade risca na caixa e... por baixo da porta empurra o palito aceso. Ouve-se um estrondo e os passos pesados de alguém correndo.
  
A essa altura, as crianças amedrontadas já se encontravam ao lado dos pais.
“-O que foi?” -Quem è? -Mamãe, é ladrão?”
 
‘-Shiiu... Vamos ver...”
  
Sem esperar mais, seu Rocha abre a porta só um pouquinho... Mas não vê nada. Abre mais e tal foi a surpresa de todos ao depararem com uma anta plantada no meio do pátio olhando pra eles.
  
A idéia seguinte foi de chamar o caseiro e quando já estava atravessando a ponte que separa as duas casas, lá vinha ele também muito assustado.
 
“Olha, Severino...” E apontou para o animal que neste momento andava calmamente em direção a mata.
 
“-Ah, seu Rocha; é do Zé da farmácia. Há algum tempo ele cuida dessa anta. Ela estava com uma alergia brava, mas... vou já, já, chamar o Zé.” Saiu correndo em direção a porteira. Foi só abrir  e pôr o pé na estrada quando viu o povo, isto é, o dono da anta e toda a família, mais dois cavaleiros com laços preparados para a captura do animal”.
 
“-Seu Zé, ela esta aqui dentro do sítio.” 

  
E..., todos vão à caça da bichinha. Bichinha é modo de dizer porque tinha mais ou menos um metro e meio de comprimento por um de altura. E era gorda a danada. Focinho comprido... rabo curto, uma novidade mesmo naquela região. A captura foi uma festa para a meninada. Com a gritaria brotou criança de todo lado e a animação foi grande  no amanhecer daquele domingo. E, a procissão que se formou atrás da anta até o sitio vizinho... Todos falando, querendo chegar perto e botar a mão no lombo da Jóia como era chamada... Muito cômico mesmo! Não sei se pelo fato de ser uma anta ou se pelo drible que ela deu nos caçadores.
 
Rendeu muita risada.

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