Dem DELEM Dem DELEM

“- O trem vem... vindooo!”

É Catarina gritando. Debruçada no alpendre, há mais de cinqüenta metros de altura acima da linha do trem, tem a visão exata de quando ele aparece lá na curva... Lá longe... Vindo da cidade de Santos.

E, ao mesmo tempo, o sino da estação badala: “dem, delem, dem, delem...”

Em qualquer parte da casa que os irmãos e primos estejam, todos correm porque querem ver a máquina soltando fumaça.

O apito, ao longe...” Piiii... Piiiiii...” É como música para os ouvidos daquelas crianças.

A engrenagem da máquina fazendo “nhec, nhec, chec, chec”, movimenta mais forte até o sangue nas veias de cada morador da cidade pequena e silenciosa.

Assim sendo, movida pela emoção, Catarina não só grita, mas pula, rodopia, abraça cada um que chega. O barulho dos pés em contato com a madeira dá a impressão que o assoalho não vai agüentar tanta criança pulando.

Quando o trem pára na estação, bem embaixo do nariz, a gritaria é muito maior porque, todos debruçam na grade, chamam as pessoas que aparecem nas janelinhas e elas respondem acenando com as mãos.

Que pena, a farra vai acabar porque o sino da estação está anunciando que o trem vai partir.

“ Dem Delemmm... Dem delemmm...”

Mais um apito e lá se vai o trem de ferro, mas ... Daqui a algumas horas outro virá.

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