Papagaio Lelé

Certo professor tinha mil maneiras de conquistar os alunos.

Sabem o que fez no primeiro dia de aula da primeira série deste ano? Com permissão da diretora levou a meninada para sua casa para lhes apresentar o papagaio Lelé.

Muito simples era sua residência. Tinha um quarto, sala bem grande, cozinha e banheiro. Chegou com a criançada, pegou uma chave em uma gaveta, deu para um aluno e pediu para que abrisse uma porta. Ao abri-la todos ficaram admirados de ver um pequeno quintal transformado em um viveiro de plantas. E que plantas! Muito lindas, bem cuidadas, algumas com flores e presas no teto, ou sobre bancos de pedra... Até pelo chão... Uma beleza!

Bem no meio das plantas havia uma gaiola pendurada. Mas o papagaio não estava lá.

“Cadê o Lelé?” - Alguém falou. E a turma se espalhou para procurar por ele. Uma voz vem, lá do canto – “Oi!”  Então, uma gargalhada se fez ouvir. Era ele. Um segundo e todos estavam à sua volta. O bichinho dançava e ria. De-repente, ele voa, passa por cima das cabecinhas dando um belo susto em todos.

Sabem aonde foi? Pois é! Para o poleiro.

Ali, sim, se sentia como um rei. Gargalhava e repetia tudo o que falavam. Era muito engraçado! Aí, o professor vai até a cozinha e traz umas frutinhas bem vermelhinhas. Mostra para o Lelé e diz: “- Lelé, fala o que você pensa de mim.”

Dançando na gaiola de um lado para o outro ele diz : “- O professor é lelé da cuca.”

E repetia a frase soltando gargalhadas.

O professor, então, coloca uma frutinha bem pertinho do bico do bichinho, faz um carinho e torna a dizer; - Canta uma modinha. Foi só acabar de falar e o Lelé começou:

“-Lára-rira-dá-á... pra criançada-a... nada” - Nesse momento parecia um coro de risos, tal foi a maneira como ele cantou e interpretou.

As frutinhas foram colocadas no poleiro. Todos quiseram fazer um cafuné no Lelé e à pedido do professor, as crianças foram para a sala onde foi servido um lanche. Foi quando surgiu a pergunta:

- Como ele aprendeu a falar? 

- Ora, precisou muito jeito e muita paciência. Cuidando das plantas eu repetia uma palavra muitas vezes, sem cansar. Procurava dar a sua comida brincando com ele, repetindo aquilo que eu queria que ele falasse. Sempre procurei  gargalhar para estimular a sua vontade. Não pensem que foi fácil.

E, com muita graça e carinho, falou: -Este ano todo, para vocês, também a dificuldade vai existir em aprender a ler e a escrever, mas eu estarei sempre por perto para ajudar. Acreditem!

E assim, o professor é feliz porque gosta do que faz.

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